Linux Para Iniciantes

22/08/2009

Linux Para Iniciantes


1 – Introdução

Linux é um sistema operacional (interface entre o usuário e o computador) multiusuário e multitarefa (processa várias tarefas ao mesmo tempo), criado pelo finlandês Linux Torvalds em 1991, com a ajuda de vários programadores voluntários. O Linux pertencente a família Unix (sistema desenvolvido em 1969, na Bell/MIT), segue um conjunto de normas de padronização conhecidas como POSIX e utiliza, geralmente, licença GPL.

O coração ou núcleo de um sistema Linux é o Kernel. Ele é responsável por tarefas importantes como carregamento de drivers (comunicação do hardware com o sistema) e gerenciamento da memória (quantidade de espaço e local que cada programa usa). Esse núcleo vem sido constantemente alterado ao longo dos anos; sua versão atual é 2.6.30.5. Podemos dizer que todo sistema operacional que possui um Kernel Linux é considerado Linux.

A maioria dos grandes servidores do planeta utilizam Linux para disponibilizar suas aplicações (web, e-mail, ftp…) e o seu uso doméstico cresceu consideravelmente nos últimos dez anos.

Existem, também, diversos sistemas Linux rodando em celulares, roteadores, video games…

O símbolo ou logotipo do Linux é o Pinguim.

2 – Software livre, GPL e o Linux

A grosso modo, todo programa é um arquivo compactado e codificado que contém um conjunto de instruções conhecido por código fonte. Programas que, sem restrições, podem ser distribuídos, copiados e alterados são considerados Software Livre.

Grande parte dos softwares livres vêm acompanhados da licença GNU GPL, criada no fim dos anos 80 por Richard Stallman, através do projeto GNU (pertencente a Free Software Foundation).

Basicamente, a filosofia Linux permite a participação de qualquer pessoa na criação e desenvolvimento de um sofware ou sistema operacional, através da programação, tradução, arte, empacotamento, suporte…

O fato do código fonte ser aberto ao público, permite que um software livre receba aprimorações e correções rápidas. Por exemplo, se um usuário comum ou programador descobrir uma falha de segurança ele pode mandar um aviso (report) aos desenvolvedores e também ajudar na resolução do problema; muitos programas fazem o report automaticamente, com a devida permissão do usuário. Ao contrário dos softwares proprietários, que não divulgam as instruções de programação, é muito difícil encontrar um software GPL com vírus devido a visibilidade do código fonte.

Esse cenário possibilita a pessoas e empresas utilizarem a informática com uma acentuada redução de gastos.

Atualmente, existem ao redor do mundo milhares de pessoas e empresas envolvidas no desenvolvimento de sistemas Linux. Para termos uma idéia, participam do desenvolvimento do Kernel, desde de usuários comuns a empresas como a IBM e a Intel.

3 – As Distribuições Linux

Até agora usamos o termo “sistemas Linux” para nos referirmos as “distribuições Linux”.

Uma distribuição é composta pelo Kernel Linux e mais um determinado conjunto de softwares (maioria livre) que resulta em um sistema operacional completo.

As distribuições podem ser obtidas pela internet (através de arquivos “iso”) para serem gravadas em uma mídia (cd, dvd…) e posteriormente instaladas no HD (disco rígido) do computador ou pendrive.

Existem centenas de distribuições Linux e cada uma delas é desenvolvida e mantida pelo grupo Linux, por uma empresa ou um conjunto de voluntários (comunidades).

As distribuições possuem versões diferentes ao longo dos anos; a cada nova versão é adicionado um novo kernel, versões atualizadas dos softwares pré-existentes e, possivelmente, novos programas. Por exemplo, existe a distribuição Debian versão 5.0 (também chamado de Lenny), Fedora 11 (também chamado de Reign)…

Existem distribuições de uso geral como Slackware e Ubuntu que podem ser instalados em desktops e servidores, possuindo um conjunto de software para todos os gostos. Existem, também distribuições para atividades específicas como o Backtrack (auditoria para segurança de redes) e o 64 Studio (edição de áudio e vídeo).

O tamanho das distribuições varia de um disquete à um dvd. As distribuições “clássicas” possuem um conjunto completo de softwares e aplicativos que cabem em um cd ou dvd.

Os sistemas Linux clássicos são bastante customizáveis. É possível instalar apenas o kernel e mais alguns aplicativos para gerar um sistema enxuto em modo texto (visualmente parecido com o DOS da Microsoft) ou um sistema completo com interface gráfica que contém tocador de mídia e navegador de internet (parecido com o Windows Vista/XP).

4 – As Principais Distribuições

Debian

É uma distribuição muito estável e segura, usada em boa parte dos servidores espalhados pela internet, totalmente gratuita e mantida por uma comunidade de desenvolvedores e colaboradores.

As versões são divididas em:

-Stable (Versão estável): Versão cujo desenvolvimento já foi concluído e periodicamente são feitas atualizações de programas, correções de segurança e correções de falhas. Sua versão atual é a 5.0 (Lenny)

-Testing (Versão Teste): É a versão que depois de um determinado período de testes se transformará em versão estável. Sua versão atual é a 6.0 (Squeeze)

-Unstable (Versão instável): Também conhecida por Sid, essa distribuição nunca será lançada, mas depois de um determinado tempo sua base dará origem a versão testing. Praticamente, todo trabalho de desenvolvimento do Debian começa na distribuição sid.

Ubuntu

O Ubuntu é patrocinado pela Canonical Ltd e é considerado um dos sistemas linux mais populares entre os usuários domésticos. Essa distribuição é baseada no Debian, possui uma interface muito amigável e de fácil utilização.

As versões são lançadas a cada 6 meses e são baseadas no ano e mês de lançamento; por exemplo: o Ubuntu 8.10 se refere ao mês 10 (outubro) do ano de 2008.

O sistema de atualizações e correções é parecido com o do Debian.

A versão estável atual é a 9.04, conhecida como Ubuntu Jaunty.

Slackware

Também conhecida por Slack, foi criada em 1993. É a distribuição Linux mais antiga e a mais parecida com o Unix. É extremamente confiável e requer um pouco mais de conhecimento do usuário para sua utilização.

Diferente da maioria dos sistemas, o Slackware utiliza apenas softwares que não sofrem nenhuma alteração ao serem incluídos na distribuição. Podemos dizer que o Slackware usa os softwares em estado “puro”.

Só existem versões estáveis para download. Se você quer se aprofundar no mundo Linux essa é uma distribuição muito indicada.

A versão atual do Slackware é 12.2.

Fedora

O Fedora é uma distribuição gratuita com uma interface gráfica muito bonita, de fácil uso, patrocinada pela Red Hat e mantida pelo Projeto Fedora.

Essa distribuição é derivada do Red Hat 9 (versão gratuita mantida, na época, pela Red Hat); com a descontinuidade do mesmo surgiu, em 2003, o Projeto Fedora.

Uma característica interessante do Fedora é a utilização de softwares e drivers em sua última versão. Isso faz do Fedora uma distribuição extremamente moderna e com suporte a diversos dispositivos de hadware recém lançados.

A cada 6 meses, aproximadamente, é lançada uma nova versão.

A Versão atual do Fedora é 11.00, também chamada de Reign.

Obs.: Existem mais distribuições importantes que são conhecidas e recomendadas, como Gentoo e CentOS, por exemplo. Não é nosso foco escrever sobre todas as grandes distribuições. O site da Distrowatch tem cadastrado uma lista enorme de distribuições Linux, possuindo diversas informações sobre as mesmas.

5- Instalação do Linux, Particionamento e Sistema de Arquivos

A maior parte das distribuições Linux são instaladas de maneira intuitiva através de uma interface gráfica que durante o processo fará algumas perguntas, como o nome que o usuário deseja usar, senhas e linguagem padrão (português, inglês…). No restante das etapas da instalação, será necessário apenas avançar, pois o sistema se encarregará das configurações necessárias.

Durante a instalação ocorrerá o particionamento (maneira como o HD será dividido e qual sistema de arquivo utilizará), que poderá ser feito de maneira “automática” ou “padrão” para não complicar a vida dos usuários com menos experiência; usuários experientes poderão fazer isso manualmente.

Ao solicitar um particionamento automático, a maioria das distribuições se encarregarão de adicionar uma partição “swap” no HD, que serve para auxiliar o trabalho das memórias caso estejam com seus recursos esgotados; uma partição “swap” não irá acelerar o sistema, mas poderá amenizar possíveis travamentos. Também será criada ao menos uma partição para abrigar a instalação de todo o sistema operacional (arquivos, pastas, programas…). Essa partição deverá utilizar algum sistema de arquivos (maneira como os dados são organizados e gravados no HD) nativo do Linux.

O sistema de arquivos padrão atual do Linux é conhecido como Ext3. Já existe o Ext4 (evolução do Ext3), porém o mesmo ainda não está presente na maioria dos instaladores das distribuições.

O Ext3 é muito confiável e moderno, possuindo um sistema de gravação de dados inteligente e facilitando o processo de recuperação dos mesmo, caso ocorra alguma falha ou desligamento incorreto do sistema.

Em um determinado momento será pedido para digitar a senha do usuário root (administrador com poder total sobre o sistema) e o nome/senha de usuário comum. Se você quiser deixar o sistema mais seguro procure não usar senha óbvias do tipo “1234”, principalmente para o usuário root. A senha de usuário comum será utilizada para o acesso no sistema e a de root para executar algumas tarefas.

Na maioria das vezes, queremos que o sistema seja inicializado automaticamente sem a necessidade de cd ou disquete de boot (disco próprios para inicializar um sistema). Para evitar esse incômodo, é preciso confirmar a instalação do gerenciador de boot (programa responsável pela inicialização do sistema) na MBR (primeiro setor do HD). A maioria dos programas de instalação aplicam essa configuração por padrão, mas não custa prestar um pouco de atenção. Os softwares responsáveis pela inicialização podem ser o Grub ou o Lilo, dependendo da distribuição utilizada.

Ao término de uma instalação convencional aparecerá uma tela de login, pedindo o nome de usuário e a respectiva senha. Não é recomendado entrar no sistema como usuário root, portanto use sua conta de usuário comum. A senha de root será automaticamente exigida para execução de tarefas que, de alguma maneira, podem colocar o sistema em risco, como instalação de programas e criação de novos usuários.

6 – Modo Texto e Interface Gráfica

As distribuições Linux permitem que o usuário interaja com sistema operacional através de uma shell (modo texto) ou através de ambientes gráficos como o KDE, Gnome, Fluxbox…

As shells tem aparência muito semelhante ao antigo DOS da Microsoft, porém possui muito mais recursos e funcionalidades. Nesse tipo de interface são digitados comandos para que o sistema execute as ações desejadas.

Alguns comandos do Linux: uname (mostra o sistema que estamos usando), pwd (mostra o nosso diretório atual) e ls (lista arquivos e diretórios).

No Linux não existe a obrigação de instalar uma interface gráfica. Podemos, por exemplo, instalar a última versão do Fedora apenas em modo texto. Isso é muito útil quando usamos máquinas antigas ou com poucos recursos.

Existe um bom número de interfaces gráficas para ambientes Linux. As mais comuns e com mais funcionalidades são KDE e Gnome, porém utilizam mais recursos do pc; também existem interfaces mais leves como Xfce e Fluxbox.

A modo gráfico faz tudo que o modo texto faz porém a execução de tarefas e ações é muito mais intuitiva, não exigindo conhecimentos de comandos por parte do usuário. A maioria das ações são efetuadas atrvés do mouse, como no Windows Xp ou Vista, da Microsoft.

Os gerenciadores gráficos padrão possuem diversos aplicativos como navegadores de internet (Firefox, Konqueror…), gravadores de mídia (K3b, Gnomebaker…), editores de texto (Openoffice, Koffice…)…

É possível instalar mais de uma interface gráfica em um pc e se o mesmo tiver vários usuários serão mantidas as configurações para cada um deles.

Podemos, também, ativar diversos efeitos visuais nas interfaces gráficas (animações, 3D…).

Atualmente, existe um projeto para utilização do KDE no Windows e no Mac OS.

7 – Considerações

Esse artigo foi direcionado, principalmente, às pessoas que pretendem entender os conceitos básicos e começar a utilizar os sistemas Linux.

Fonte: Hosco Tecnologia

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